A neurologista Dra. Kette Valente fala sobre a Síndrome de Kleefstra

A síndrome de Kleefstra, previamente conhecida como a síndrome de deleção subtelomérica do 9q (9qSTDS) é determinada pela haploinsuficiência do gene EHMT1. Tanto as mutações quanto a microdeleções do 9q34 podem determinar esta síndrome.

Os pacientes apresentam dismorfismos faciais, deficiência intelectual, hipotonia e epilepsia. As anomalias renais e cardíacas fazem parte do quadro, sendo que estas anomalias sistêmicas devem ser investigadas sistematicamente.

Fenótipo Neurológico

Deficiência Intelectual: Na síndrome de Kleefstra, há uma grande variabilidade fenotípica quanto ao funcionamento cognitivo e adaptativo. A maior parte dos pacientes apresenta deficiência intelectual, predominantemente moderada à grave. Entretanto, alguns pacientes apresentam deficiência intelectual leve com o quociente de inteligência na faixa media de 70.

A maior parte dos pacientes apresenta dificuldade para a comunicação verbal, sendo que a não aquisição da comunicação através da fala é frequente.  Neste cenário, o uso de sinais ou fotos/ figuras pode ser útil para o aprendizado da comunicação não verbal, que tem grande valor para a maior parte dos pacientes, assim como de seus familiares.

Desenvolvimento Motor: A hipotonia presente na infância tem um impacto relevante na aquisição dos marcos do desenvolvimento motor (firmar o pescoço, sentar com e sem apoio, marcha). Mas, deve-se ressaltar que a despeito no atraso na aquisição motora, quase todos os pacientes adquirem a marcha independente por volta dos 2 a 3 anos.

A epilepsia não é detalhadamente caracterizada na Síndrome de Kleefstra.

Até o momento, sabe-se que as crises epilépticas são relatadas em 30% dos pacientes. Deve-se lembrar que estas crises não necessariamente são convulsivas (crises tônico-clônicas generalizadas ou crises focais motoras), mas crises de ausência e crises focais com perda de contato com o meio também foram descritas. Entretanto, na maior parte dos casos relatados, a epilepsia é bem controlada com fármacos anti-epilépticos.

 Fenótipo Comportamental

O fenótipo comportamental foi recentemente descrito e compreende distúrbios do sono e apatia.

Nos adultos relatados, é descrito um quadro de maior agressividade e piora comportamental que começa depois da adolescência com oscilações do humor e certa perda de habilidades no funcionamento social.

Em relação ao sono, é descrito em poucos pacientes, despertares frequentes durante o sono diurno e noturno.

Deve-se ser cuidadoso com a assertiva que todos os pacientes com esta síndrome apresentarão este quadro, assim como de que este quadro é característico desta síndrome. Outras síndromes que cursam com deficiência intelectual apresentam quadros clínicos muito similar na adolescência. O uso de fármacos adequadamente prescritos poderão ajudar nestes quadros assim como na regulação do sono. Ainda há poucos relatos de casos para afirmarmos que existe um padrão de regressão característico desta síndrome. É necessário que se acompanhe um número maior de pacientes por um período de tempo mais prolongado para que tais afirmações tenham validade. Até o momento, embora estas afirmações sejam relevantes e importantes para que fiquemos atentos, têm caráter especulativo.

Dra Kette Valente
Professora Livre-Docente da Faculdade de Medicina da USP
Diretora do Laboratório de Neurofisiologia Clínica do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP

 

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